BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Palácio do Planalto recusou disponibilizar o cartão de vacinação do presidente Jair Bolsonaro (PL), apesar de ele próprio ter autorizado sua divulgação.
n
n
“Esclarecemos que as informações solicitadas dizem respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem do Senhor Presidente da República, que são protegidas com restrição de acesso, nos termos do artigo 31 da Lei nº 12.527, de 2011”, diz a Presidência, em nome do gabinete pessoal de Bolsonaro.
n
A recusa ocorreu nesta terça (18), mediante um pedido da Folha de Lei de Acesso à Informação. A solicitação teve como base uma fala de Bolsonaro durante transmissão em suas redes sociais em 15 de setembro.
n
“O que tem de pessoal até hoje que a imprensa pediu e eu não dei? Pelo que eu me lembre, cartão de vacina. Da minha parte, já falei para minha assessoria, quem quiser meu cartão de vacina, pode olhar”, afirmou o presidente na live.
n
À época, a Folha de S.Paulo também procurou a Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) solicitando o cartão de vacina do presidente, mas não obteve resposta.
n
No Spaces da Folha de S.Paulo no Twitter, o ministro Fábio Faria (Comunicação) disse no final de setembro que, por ele, o cartão também deveria se tornar público. “Vou fazer esse pedido [ao presidente]. Não sei porque não tornar público.”
Bolsonaro diz não ter se vacinado contra a Covid-19, cuja pandemia causou mais de 600 mil mortes no país.
n
A lei em que o Planalto se baseia para negar o pedido diz respeito à divulgação de informações pessoais. Há previsão de que esse tipo de dado tenha acesso restrito pelo prazo máximo de cem anos.
n
Em janeiro de 2021, o jornalista Guilherme Amado fez solicitação semelhante à presidência e a resposta foi a mesma.
n
A fala de Bolsonaro autorizando acesso ao seu cartão de vacina ocorreu em meio a um comentário de sobre ter decretado sigilo em determinados assuntos –tema muito explorado pela campanha do adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O presidente nega que haja sigilo.
n
Bolsonaro terminou o primeiro turno com 43,20% dos votos, contra 48,43% de Lula.
n
O presidente sempre teve um discurso anticientífico crítico à vacinação do coronavírus e defendeu, em diversas ocasiões, a utilização de medicamentos sem eficácia comprovada. Mesmo diante de indícios de que esses remédios poderiam ter efeitos colaterais, ele continuou insistindo no chamado kit Covid.
n
Diante da proximidade das eleições, Bolsonaro foi convencido por aliados a parar de criticar diretamente a vacinação. Assessores insistiram que ele próprio se vacinasse, sem sucesso.
n
A vacina, ao contrário do discurso do presidente, teve ampla adesão na sociedade. Cerca de 70% da população brasileira já completou o esquema vacinal.
n
Durante a pandemia, o presidente deu diversas declarações minimizando a pandemia e as mortes.
n
Em abril de 2021, por exemplo, ele foi questionado por jornalistas a respeito de um novo recorde diário de mortes (474 em um dia), ao que respondeu: “E daí, “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”.
n
Durante a campanha, Bolsonaro tem rebatido as acusações de ser contra a vacinação. Ele costuma afirmar que não havia vacinas disponíveis em 2020 e que o Brasil começou a aplicar os imunizantes em janeiro do ano seguinte.
n
Ele omite, no entanto, que a vacinação no Brasil começou com o imunizante Coronavac, iniciativa do então governador de São Paulo, João Doria. Bolsonaro chegou a prometer que não compraria essa vacina e a criticou em diversas ocasiões.

Veja também
Roberto Jefferson se entrega e é preso pela Policia Federal
Bope reforça ação na casa de Jefferson; apoiadores festejam Padre Kelmon no local
Roberto Jefferson troca tiros e atira granadas contra a Polícia Federal