15 de outubro de 2026

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Planalto recusa mostrar cartão de vacina de Bolsonaro mesmo após promessa do presidente

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Palácio do Planalto recusou disponibilizar o cartão de vacinação do presidente Jair Bolsonaro (PL), apesar de ele próprio ter autorizado sua divulgação.

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“Esclarecemos que as informações solicitadas dizem respeito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem do Senhor Presidente da República, que são protegidas com restrição de acesso, nos termos do artigo 31 da Lei nº 12.527, de 2011”, diz a Presidência, em nome do gabinete pessoal de Bolsonaro.

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A recusa ocorreu nesta terça (18), mediante um pedido da Folha de Lei de Acesso à Informação. A solicitação teve como base uma fala de Bolsonaro durante transmissão em suas redes sociais em 15 de setembro.

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“O que tem de pessoal até hoje que a imprensa pediu e eu não dei? Pelo que eu me lembre, cartão de vacina. Da minha parte, já falei para minha assessoria, quem quiser meu cartão de vacina, pode olhar”, afirmou o presidente na live.

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À época, a Folha de S.Paulo também procurou a Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) solicitando o cartão de vacina do presidente, mas não obteve resposta.

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No Spaces da Folha de S.Paulo no Twitter, o ministro Fábio Faria (Comunicação) disse no final de setembro que, por ele, o cartão também deveria se tornar público. “Vou fazer esse pedido [ao presidente]. Não sei porque não tornar público.”
Bolsonaro diz não ter se vacinado contra a Covid-19, cuja pandemia causou mais de 600 mil mortes no país.

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A lei em que o Planalto se baseia para negar o pedido diz respeito à divulgação de informações pessoais. Há previsão de que esse tipo de dado tenha acesso restrito pelo prazo máximo de cem anos.

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Em janeiro de 2021, o jornalista Guilherme Amado fez solicitação semelhante à presidência e a resposta foi a mesma.

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A fala de Bolsonaro autorizando acesso ao seu cartão de vacina ocorreu em meio a um comentário de sobre ter decretado sigilo em determinados assuntos –tema muito explorado pela campanha do adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O presidente nega que haja sigilo.

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Bolsonaro terminou o primeiro turno com 43,20% dos votos, contra 48,43% de Lula.

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O presidente sempre teve um discurso anticientífico crítico à vacinação do coronavírus e defendeu, em diversas ocasiões, a utilização de medicamentos sem eficácia comprovada. Mesmo diante de indícios de que esses remédios poderiam ter efeitos colaterais, ele continuou insistindo no chamado kit Covid.

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Diante da proximidade das eleições, Bolsonaro foi convencido por aliados a parar de criticar diretamente a vacinação. Assessores insistiram que ele próprio se vacinasse, sem sucesso.

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A vacina, ao contrário do discurso do presidente, teve ampla adesão na sociedade. Cerca de 70% da população brasileira já completou o esquema vacinal.

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Durante a pandemia, o presidente deu diversas declarações minimizando a pandemia e as mortes.

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Em abril de 2021, por exemplo, ele foi questionado por jornalistas a respeito de um novo recorde diário de mortes (474 em um dia), ao que respondeu: “E daí, “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”.

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Durante a campanha, Bolsonaro tem rebatido as acusações de ser contra a vacinação. Ele costuma afirmar que não havia vacinas disponíveis em 2020 e que o Brasil começou a aplicar os imunizantes em janeiro do ano seguinte.

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Ele omite, no entanto, que a vacinação no Brasil começou com o imunizante Coronavac, iniciativa do então governador de São Paulo, João Doria. Bolsonaro chegou a prometer que não compraria essa vacina e a criticou em diversas ocasiões.