15 de outubro de 2026

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Múltiplas doenças crônicas aumentam a chance de demência, sugere estudo

(FOLHAPRESS) – Um estudo feito com mais de 200 mil britânicos associou a multimorbidade a um aumento no risco de demência. Os achados de médicos do Reino Unido e da Alemanha foram publicados esta semana na publicação científica JAMA Open Network (The Journal of the American Medical Association).

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Em linhas gerais, multimorbidade é quando o mesmo indivíduo possui múltiplas doenças crônicas. A depender do conceito, pode ser considerada a partir de duas ou mais enfermidades.

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“É aquele paciente que você conhece que tenha, por exemplo, diabetes, hipertensão, asma”, diz o neurologista Diogo Haddad, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

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Os pesquisadores reuniram mulheres e homens sem demência e com idade mínima de 60 anos para acompanhar ao longo de até 15 anos – a média foi de 11,8 anos. Foram utilizadas informações do UK Biobank, banco de dados ligado ao sistema público de saúde britânico, coletados entre 2006 e 2010.

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No período, 6.182 participantes desenvolveram demência. A taxa de incidência foi de 1,87 por 1.000 pessoas sem multimorbidade e 3,41 para quem apresentou múltiplas doenças.

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Os pacientes com mais de um problema de saúde eram em sua maioria mulheres mais velhas de etnia não branca com menor qualificação educacional e moradoras de áreas mais pobres do Reino Unido.

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“O estudo prova de uma forma coesa cientificamente que é a ideia de que pacientes que têm várias doenças têm mais risco de desenvolver demência, principalmente Alzheimer, ao longo da vida”, analisa Haddad.

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“Com base nisso, posso dizer que se você cuidar bem da pressão alta e do diabetes ou mesmo se prevenir essas doenças, você estará prevenindo de maneira direta o processo demencial”, afirma.

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A pesquisa ainda apontou que os pacientes sem fator de risco genético, mas com comorbidades, possuem um risco maior de desenvolver demência do que aqueles que não possuem múltiplas doenças crônicas.

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“Muitas vezes as pessoas têm a ideia de que as demências e sobretudo o Alzheimer têm uma relação única e exclusivamente genética. Na realidade, não é. A doença é multifatorial”, esclarece o médico.

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Outros fatores de risco Para a professora de geriatria Claudia Kimie Suemoto, da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), o artigo se destaca ao mostrar o agrupamento mais comum de doenças que aumentam os riscos.

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Em mulheres é a associação de hipertensão, diabetes e doença coronariana e, no caso da dor, osteoporose e dispepsia. Já nos homens a combinação de diabetes e hipertensão, além da associação de doença cardíaca coronária, hipertensão e de AVC (acidente vascular cerebral) são os fatores de maior risco.

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Maria Gabriela dos Santos Ghilardi, neurologista do HCor e doutora em neurologia pelo departamento de neurologia da FMUSP, lembra que o número de comorbidades está associado ao risco: quanto mais doenças crônicas, maior a chance de desenvolver demência.

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Segundo a médica, tais doenças estão sempre interligadas e é preciso ter um diagnóstico para conseguir realizar o tratamento e, assim, prevenir outros problemas decorrentes delas.

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Prevenção A neurologista Maria Gabriela dos Santos Ghilardi ressalta a indicação de prevenção como grande conclusão do estudo. Para a médica, ele tem “um impacto maior na prevenção porque através dela a gente consegue aperfeiçoar a identificação dos indivíduos que tenham um risco maior de desenvolver demência e, dessa maneira, atuar de uma forma mais efetiva prevenindo a doença”.

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Em termos de políticas para saúde pública, o estudo aponta para o tratamento de doenças como diabetes e hipertensão como uma das formas de prevenção da demência.

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“Para o Alzheimer, é muito mais importante ter uma saúde pública primária de qualidade do que pensar em como trazer mecanismos de teste genético”, ressalta o neurologista Diogo Haddad.

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“Existem fatores na doença: os modificáveis e não modificáveis. Envelhecer, por exemplo, não é modificável. Por outro lado, hipertensão, diabetes, cigarro, álcool são fatores possíveis de controlar, modificar e tratar”.