15 de outubro de 2026

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‘Sexting’ melhora comunicação e satisfação sexual de casais, diz estudo

(FOLHAPRESS) – Aquela mensagem de texto picante ou mesmo um nude ocasional podem ser o começo de uma comunicação melhor e mais satisfação sexual entre casais.

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A constatação é de um estudo norte-americano feito com pessoas de 18 a 75 anos que estavam em relacionamentos monogâmicos. De acordo com a pesquisa, a prática frequente do “sexting” (envio de mensagens digitais de teor erótico) traz resultados positivos ao relacionamento.

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Casais que trocavam de mensagens com teor sexual também tiveram índices melhores de comunicação sobre sexo e maior satisfação pessoal com seu envolvimento romântico.

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Foram considerados sexting: conteúdo sexual e flertes digitados, conversas sobre sexo e intimidades, e envio de fotos com nudes e seminudes, além de vídeos (de si mesmo ou pornográficos) via mensagens eletrônicas.

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A amostra considerou 465 entrevistas anônimas preenchidas por meio de questionário online, dos quais 86,2% dos participantes moravam com o parceiro.

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O trabalho “Sexual Relationships: is sexting a relationship enhancer in intimate partner relationships?” (“Relacionamentos sexuais: o sexting é um potencializador de relacionamento em relacionamentos de parceiros íntimos?”), da pesquisadora Amanda Baker, foi apresentado ao programa de doutorado da Widener University em abril deste ano e os resultados foram publicados em artigo de mesmo nome em agosto na revista científica internacional The Journal of Sexual Medicine.

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Baker afirma que a prática impacta pilares que ajudam a construir o relacionamento. “Os resultados deste estudo podem ajudar profissionais clínicos e educadores a entenderem como o sexting afeta as relações românticas”, escreve a pesquisadora.

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Baker avaliou também o efeito da pandemia nos casais. Cerca de 60% dos participantes relatou um impacto negativo em seu relacionamento, sendo que 27% afirmou que a crise sanitária os aproximou e 14% relatou diminuição do sexo ou da satisfação com o relacionamento.

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“O estudo descobriu que os participantes achavam que as mensagens de texto eram mais importantes do que sexting em seu relacionamento durante a pandemia”, relatou Baker.

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O ativista e apresentador Cairo Still, 33, e o namorado estão juntos há 6 anos. Começaram a utilizar o sexting há 2 anos após uma crise no relacionamento. Para Still, o recurso ajudou a enfrentar o momento mais difícil da crise do coronavírus. “Acabou sendo uma redescoberta para nós. Ficamos mais juntos e próximos. Sempre que sentimos que precisamos, voltamos para o WhatsApp e combinamos como será a noite”, afirma Still.

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Ele relata que já teve problemas com um nude vazado, mas que resolveu o problema melhorando a comunicação entre os dois. “Colocamos como regra: qualquer imagem que fôssemos enviar, não deixar o rosto à mostra, ou alguma parte com tatuagem”, diz o apresentador.

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O estudo também mostrou que 14% dos entrevistados usaram o sexting quando estavam separados por longos períodos de tempo e 10% disseram usar como preliminar. Em contrapartida, 8% sentia-se desconfortável com a prática e não o utilizavam, e 8% mencionou que por morar junto não sentiam necessidade.

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A musicista e influenciadora Nathália Rodrigues, 25, namora há 3 anos e viu no sexting um aliado para não deixar o relacionamento esfriar, além de superar o excesso de tempo junto durante os confinamentos da pandemia.

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“Começamos em 2021 e continuamos usando até hoje. Apimentou mais nossa relação. Começamos pelo tradicional, de enviar apenas fotos, mas com o passar do tempo descobrimos os vídeos”, conta.

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O médico Gerson Lopes, 67, coordenador do setor de medicina sexual da rede Mater Dei de Saúde, afirma que no Brasil, as mulheres e jovens tendem sempre a ser mais abertos ao novo, mas que esperava uma mudança mais significativa no padrão dos casais após a crise sanitária.

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“Sexo ainda é tabu, por isso os desafios ainda são grandes para quem recorre ao sexting e outras ferramentas tecnológicas. Infelizmente, se fala mais do que na intimidade se tolera”, disse Lopes.

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O médico publicou um estudo em 2020 sobre relacionamentos durante as fases de confinamento da Covid-19 e constatou que para sobrevivência da relação é preciso que parceiros que vivem separados renovem seus critérios amorosos e sexuais.

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“Para quem mora junto, recomendamos a necessidade de fortalecer a intimidade. Posso dizer que sexo repetitivo, monótono, do mesmo jeito e em mesmo local, acaba estriando o desejo sexual, particularmente de mulheres”, afirma Lopes.

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Já Bárbara Lucena, psicóloga e terapeuta sexual, percebeu uma intensificação da paquera por meio das redes sociais e da troca de mensagens instantâneas com conteúdo erótico e sexual.

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“É importante considerar que, na atualidade, muito da comunicação acontece virtualmente. De certa forma, é natural que todas as formas de se relacionar [para trabalho, afetivamente e sexualmente] também se adaptem a esta modalidade”, afirma.

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Além dos riscos à privacidade, a especialista diz que a pessoa deve estar atenta às consequências sociais e emocionais, como sentimento de culpa, arrependimento, vulnerabilidade ou insegurança. Lucena também frisa que é importante entender se esta troca de mensagens é algo que realmente se quer fazer e se conhece o parceiro a ponto de aproveitar todos os benefícios da prática.

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“O sexting pode favorecer a intimidade do casal, o senso de confiança um no outro e facilitar o aspecto lúdico do sexo, fomentando a imaginação. Além disso, pode potencializar a excitação e comunicação sexual, servindo como uma forma de explorar a própria sexualidade”, pontua a psicóloga.