15 de outubro de 2026

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Rosângela Moro , Adrilles e filha de Jefferson repassam R$ 1 mi a empresa de dirigente do PTB

(FOLHAPRESS) – A mulher do ex-juiz Sergio Moro, a deputada eleita Rosângela Moro (União Brasil), a filha de Roberto Jefferson, Cristiane Brasil (PTB), e o ex-BBB Adrilles Jorge (PTB) escolheram a empresa de um dirigente do próprio PTB para a prestação de serviços como produção de materiais impressos e de camisetas, marketing, filmagem e transporte.

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As campanhas dos três repassaram um total de R$ 1 milhão à ALK Ronzani Publicidade, Propaganda e Marketing.

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Segundo o cadastro na Receita Federal, a empresa pertence a Roberto Soares Ronzani. Ele é presidente do PTB em Guarulhos (Grande SP) desde março do ano passado, com mandato até novembro deste ano. Também é membro do diretório estadual da legenda em São Paulo.

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A ALK está situada no bairro Jardim Pinhal, no mesmo endereço da sede do partido em Guarulhos, comandado atualmente por Ronzani.

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Os emails da empresa e do diretório do PTB também são iguais e levam o apelido do empresário, conhecido como Roberto Pezão.

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A reportagem esteve no endereço da empresa na última terça-feira (11) e encontrou uma placa do PTB na fachada do prédio.

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A reportagem procurou por Roberto Ronzani no local, mas ninguém atendeu ao interfone na sala indicada como sede municipal do partido.

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Em seguida, a reportagem tocou em outra sala e perguntou para vizinhos, que afirmaram que apenas o partido funciona no local e que desconhecem a existência da empresa ALK.

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Alguns minutos depois, Ronzani chegou de carro e, questionado sobre o tema, pediu para que a reportagem enviasse as perguntas por escrito. Ele também mostrou fotos dos materiais que diz ter produzido -as imagens, depois, foram enviadas à reportagem.

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Segundo dados da Junta Comercial de São Paulo, a ALK foi fundada em 2018 e tem capital social de R$ 10 mil.

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Na eleição de 2018, a empresa prestou serviços de fornecimento de materiais gráficos no valor de R$ 40 mil, segundo a Justiça Eleitoral. Neste ano, além do salto para R$ 1 milhão, houve grande ampliação da gama de serviços prestados pela empresa.

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Na declaração de Adrilles Jorge, os gastos incluíram R$ 125 mil em marketing qualificado, R$ 25 mil em filmagem e R$ 10 mil em transporte. O total repassado à empresa foi de R$ 200 mil. O ex-BBB obteve 91.485 votos e não conseguiu se eleger.
Cristiane Brasil, que só recebeu 6.730 votos e ficou de fora da Câmara, repassou R$ 370 mil à empresa.

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Apesar da votação pouco expressiva, a filha de Roberto Jefferson recebeu R$ 2,8 milhões de recursos do fundo da direção nacional e estadual do PTB para sua campanha.

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Já Rosângela Moro recebeu R$ 2,8 milhões de seu partido, a União Brasil, e repassou R$ 499 mil à ALK Ronzani. O valor representou a maior despesa de campanha. Ela foi eleita.

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Roberto Ronzani já se candidatou a vereador em Guarulhos em 2004, pelo PP. Na ocasião, ele declarou ser comerciante e ter ensino médio incompleto. Ele também já atuou, entre 2010 e 2011, como agente de segurança parlamentar da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).

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Em entrevista ao canal D´Lotus Podcast no Youtube em março deste ano, o empresário disse que, ao assumir o cargo no PTB, aceitou o desafio “de ajudar a reestruturar o partido em São Paulo e Guarulhos” e que “estava trabalhando nisso”.
Disse também que tinha “um pessoal legal para puxar votos”, “com bandeira conservadora de direita e na linha da família”.

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Acrescentou que estava à procura de recursos para lançar candidatos e que ele mesmo não se candidataria nestas eleições. Segundo ele, seria desleal, como presidente do partido, buscar recursos nas direções estadual e municipais, e ele mesmo se candidatar.

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Ronzani disse à reportagem que indicou alguns nomes para compor a chapa de deputado estadual e federal.

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Questionado se ele receber pelo próprio partido não configuraria conflito de interesses, Ronzani afirmou que é presidente do diretório municipal do PTB e, como atende outras legendas, “acabou recebendo solicitações de alguns orçamentos”.

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Ele disse que sua empresa opera no mesmo endereço do PTB desde a sua fundação e que o partido “funciona em sala diferente”.

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“Não tem nenhuma previsão que impeça o fornecimento de material de propaganda eleitoral desde que seja praticado o valor de mercado, como nada consta na resolução 23.607”, acrescentou.

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Ele se referiu à resolução 23.607, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que dispõe sobre a arrecadação e os gastos de recursos por partidos políticos e candidaturas, além da prestação de contas.

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Ronzani afirmou que foi procurado pela coordenação da campanha de Rosângela Moro para efetuar orçamento de itens como “santinho”, “santão”, “adesivos” e outros materiais.

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A assessoria de Rosângela afirmou que a ALK foi responsável pelos materiais gráficos da campanha e que a escolha do fornecedor foi feita pelo coordenador-geral da candidatura, Guto Ferreira.

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Segundo a campanha, a prestação de contas dela “será entregue respeitando o prazo e a forma da legislação eleitoral”.

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Já Cristiane Brasil afirmou que a gráfica foi escolhida por ter melhores condições de preço, prazo e qualidade. Ela nega conflito de interesse na escolha do fornecedor.

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“Não vislumbro qualquer conflito de interesse na contratação da empresa, uma vez que, como já explicitado, ela ofertou as melhores condições com relação ao preço, prazo de entrega e qualidade do material. Ademais, verifica-se que a empresa forneceu não só para candidatos do PTB como também a candidatos de diversos outros partidos.”

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Ela disse ainda que a sede é apenas o escritório comercial da empresa e que sua equipe visitou o parque gráfico situado em outro local, onde verificou haver funcionários e máquinas funcionando.

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A reportagem procurou Adrilles via número de WhatsApp descrito em suas páginas, mas não obteve resposta.

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O diretório do PTB em São Paulo, que também contratou os serviços da ALK para serviços de marketing, material gráfico, artes para propaganda de televisão, “entre outros”, afirmou que a empresa foi escolhida por ser conhecida dos contratantes.

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A sigla negou conflito de interesses, afirmando que não há irregularidades e que, se o serviço for qualificado, não há problemas na contratação.

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“Ao prestar serviço qualificado, a preço de mercado, com entrega em dia, não há problema algum em contratá-la”, respondeu, por nota.

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Para Denise Goulart, professora de direito eleitoral e membro da Abradep (Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político), todos os indícios do caso “são muito suspeitos” e podem ser apurados pelo Ministério Público Eleitoral para uma posterior análise da Justiça Eleitoral, caso sejam encontradas ilegalidades.

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“A preocupação da legislação eleitoral é sempre com a legitimidade do gasto. O MP [Ministério Público] pode investigar, por exemplo, se este fornecedor tinha capacidade de realizar o serviço. Se configurar alguma ilegalidade, isso pode caracterizar desvio de finalidade e o recurso ser devolvido ao Tesouro Nacional”, disse.

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O advogado de campanhas e integrante da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-SP Fernando Neisser avalia que há no caso elementos a motivar uma apuração, embora ressalve que seja prematuro concluir pela existência de irregularidade.

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“Não há uma proibição formal para que se contrate empresas com esse tipo de vínculo. O que não pode acontecer e precisa ser verificado é se o serviço é fantasma, se não foi prestado, principalmente quando é dinheiro público envolvido”, disse.